quarta-feira, 30 de março de 2011

Entrevista de Fernando Meirelles

Em entrevista concedida em fevereiro deste ano, Fernando Meirelles mencionou a importância dos atores para um trabalho como "360", seu novo filme.
Pouco tempo depois, Meirelles reforça seu interesse por interpretação em texto escrito em Londres, durante as filmagens de "360". Nele, o diretor comenta como foi trabalhar com o alemão Moritz Bleibtreu, ator pouco conhecido no Brasil, que trabalhou em filmes como "Corra, Lola, Corra" (1998) e "Munique" (2005). Ao descrever a forma de atuar de Bleibtreu, Meirelles destaca as sutilezas com as quais o diretor se depara durante filmagens, sobretudo quando se tem um elenco internacional, como acontece em "360", que mistura atores ingleses (Rachel Weisz e Jude Law), brasileiros (Maria Flor e Juliano Cazarré), além de um galês (Anthony Hopkins), um francês (Jamel Debouzze) e, claro, o alemão. Na situação mencionada - justamente durante a cena final da produção - o resultado foi feliz e serviu como "um presente" ao diretor. Leia o texto abaixo, escrito em 26 de março, na íntegra.


"Dirigir este filme não será muito diferente de dirigir um táxi, já percebi. A cada dia embarca um novo passageiro com um destino diferente.
Segunda-feira foi a vez do ator alemão Moritz Bleibtreu entrar no barco. Fui encontrá-lo em seu hotel depois do nosso primeiro dia de filmagem. Conexão instantânea. Em 10 segundos estávamos falando do seu personagem e sobre atuação. Tenho enorme interesse em saber qual estrada cada ator pega para entregar sua encomenda. Gosto do assunto não só para saber como tocá-los, mas também pelo prazer de observar quão maleável e flexível pode ser a mente humana.

Caminhos absolutamente opostos podem levar a um mesmo lugar. Apesar de ter um passado selvagem, Moritz é alemão e tem método, mas não o Method - este ele desconsidera. Seu caminho é outro: primeiro procura ter cada palavra dos seus diálogos completamente decorada a ponto de não precisar pensar nelas na hora em que a câmera estiver rodando. No set gasta um tempo prestando atenção e estudando cada movimento que fará, garantindo ao montador a possibilidade de cortá-lo em qualquer sílaba sem risco de ter um garfo ainda na boca ou uma virada de cabeça que não estará no take seguinte. Como uma máquina bem regulada, com tudo que ele precisa dizer ou fazer no piloto automático, ele pode esquecer sua própria atuação, prestar atenção no que o ator com quem está contracenando está dizendo e, assim, viver a experiência que está escrita no roteiro. De fato, nós não pensamos em nossas expressões, intonação ou sentimentos ao falar e interagir. É esse desprendimento que ele busca ao tentar automatizar e assim poder esquecer o que tem que fazer.


Essa maneira de se construir um personagem, de fora para dentro, pode soar antiga. Foi justamente em contraposição a essa maneira de atuar que Stanislavsky, nos anos 1930, desenvolveu seu sistema, que acabou sendo reestruturado por Lee Strasberg no Actors Studio, onde ganhou o nome de Method Acting. Dei muita risada ao ouvir o Moritz falar do Method que, para ele, é mais uma obsessão norte-americana em dar nomes às coisas e de criar um marketing, do que algo que ajude os atores a interpretar de fato. 'Para quê eu preciso saber quem é a avó do personagem se ele está apenas num jantar de trabalho?'

Moritz trabalhou com bons atores que usam o Method e disse que nunca se sentiu tão sozinho em cena. Esses atores, diz, passam tanto tempo focados em buscar suas memórias afetivas, a inventar uma história pregressa para seus personagens, a tentar se transformar no personagem que simplesmente se fecham naquele mundo e esquecem que existem outros atores em cena e uma história para ser contada. Na câmera, diz, a coisa funciona, mas para o ator que está ali contracenando é como se não houvesse ninguém do outro lado, é como contracenar com um autista de onde não vem nada. Ele mesmo passou um tempo em Nova York aprendendo a trabalhar por este caminho, mas não se adaptou e abandonou o curso.

Fora o prazer de ouvir esta provocação, sempre achei que o difícil numa atuação não é falar mas sim saber escutar o outro, pegar o que veio e devolver com alguma coisa a mais e assim ir construindo a cena,levando-a para lugares onde só ali, com a câmera rodando, é possível descobrir. Para uma cena ficar boa, ela precisa que todos os envolvidos estejam atentos e sensíveis para deixar que cozinhe um pouco no calor daquele momento entre o ação e o corta. É ali que brotam os sabores. Se eu fosse norte americano eu criaria um método chamado "Cooking Acting" e ficaria rico.

Em uma das cenas rodadas, tentei mudar algumas falas do Moritz depois de 3 ou 4 takes filmados, mas elas simplesmente não saíram orgânicas. Então, por sugestão do Jude Law que contracenava, acabamos cortando-as e voltamos ao roteiro original. Por não estar filmando em sua própria língua essas mudanças se tornam mais difíceis, imagino. De qualquer maneira, no final da cena, que é também o final do filme, Moritz entregou uma performance tão simples mas tão extraordinária que minha insegurança em relação àquele final se evaporou. Em silêncio, apenas com os olhos, o alemão colocou um ponto final em '360', como se me entregasse um presente. Esta eu vou ficar devendo."

Palhaçada geral...

Agora no mês de março tivemos o grande prazer de receber no nosso CAC Walmor Chagas, o curso "Palhaço em 3 tempos" ministrado pelo querido mestre Mané.
Com direito a formatura e diploma. A galera mandou super bem e encheu nosso espaço de alegria e criatividade. Parabéns "Palhaçada"!!!
Confira algumas fotos:



O mestre Mané e seu estágiario.




















quinta-feira, 24 de março de 2011

Oficina Silvana Abreu no CAC Walmor Chagas.




O Ator-Performer: oficina trabalha processo criativo

Ministrada pela atriz, diretora e performer Silvana Abreu, curso terá nove horas de duração e acontece nos dias 21 e 22 de abril no CAC Walmor Chagas.


180311 - Já estão abertas as inscrições para a oficina “O Ator-Performer - Dramaturgia do Desejo”, que será realizada nos próximos dias 21 e 22 de abril, pelo Centro de Artes Cênicas (CAC) Walmor Chagas, com a atriz, diretora e performer Silvana Abreu. Destinado a atores, clowns, bailarinos, performers e estudantes dessas áreas, o curso terá carga horária total de nove horas, as vagas são limitadas e o custo é de R$ 180,00.
Com especialização em Mímica e Teatro Físico, Silvana Abreu foi integrante do Núcleo de Pesquisa e Criação da Mímica Total do Brasil, coordenado por Luis Louis, além de idealizadora e produtora do Projeto Solos do Brasil, com Denise Stoklos, quando criou o espetáculo "Micro-Revolução de Um Ser Gritante", inspirado na obra de Clarice Lispector. A montagem recebeu vários prêmios em festivais nacionais e percorre o Brasil desde 2003, além de já ter se apresentado em países da América Latina e da Europa.
A oficina trabalha o processo criativo do ator a partir da abordagem corporal e autoral, para identificar e potencializar o que cada participante tem de mais expressivo e único, e tem o objetivo de que o performer esteja tão comprometido com a criação (com corpo-voz-pensamento-emoção-intuição) que a cena seja necessariamente intensa, autêntica, prazerosa, alegre e vibrante.
Esse trabalho tem inspiração na Filosofia Contemporânea de Afirmação da Vida, e busca uma aplicação prática de conceitos encontrados em Nietzsche, Spinoza, Bergson e Deleuze, entre outros filósofos.



Serão abordados durante a oficina treinamento de técnicas corporais, introdução ao conceito de dramaturgia para atores-criadores, treinamento do corpo emocional, entre outros.
O Centro de Artes Cênicas (CAC) Walmor Chagas fica na rua Netuno, 41, Jardim da Granja. Mais informações pelo telefone (12) 3941-7631, de terça a sexta-feira, das 14h às 20h.
Serviço:
O Ator-Performer - Dramaturgia do Desejo
Datas e horários: dias 21, das 10h às 13h e das 15h às 18h, e 22, das 10h às 13h
Local: CAC Walmor Chagas - rua Netuno, 41, Jardim da Granja
Para as inscrições: Preencher Ficha de Inscrição, anexar Carta de Interesse do porque deseja participar do Curso e Curriculum resumido (máximo 15 linhas).
Valor: R$ 180,00 - 50% até dia 30 de março e 50% até dia 15 de abril.


Contatos para a imprensa:
Central Comunicação
Andréia Barros – (12) 3921-5367 ou (12) 7814-9934 // ID 99*15242
E-mail: andreiacentral@gmail.com

Nesta Segunda no CineClube Tem...





Ananã Produções, Globo Filmes e Fox Film produzem longa de estréia de Cris D’Amato

Na paixão fulminante entre um diretor de teatro e uma jovem misteriosa, o caso que iniciou o processo de extinção da pena de morte no Brasil ameaça se repetir.

Sem Controle reúne Eduardo Moscovis, Milena Toscano e Vanessa Gerbelli numa história repleta de personagens inusitadas e viradas surpreendentes, que apresenta a questão da pena capital sob uma perspectiva absolutamente nova.

Danilo Porto (Eduardo Moscovis) é um diretor de teatro obcecado com a injustiça cometida contra o fazendeiro Manoel da Motta Coqueiro, caso que iniciou o processo de extinção da pena de morte no Brasil. Danilo decide montar uma peça sobre Motta Coqueiro, com ele próprio interpretando o fazendeiro e os demais papéis vividos por pacientes psiquiátricos. Quando os limites entre real e imaginário se confundem, Danilo é forçado a reviver os fatos históricos em primeira pessoa, ciente do destino trágico de seu personagem.

Obsessão e amor, pena de morte e loucura, teatro e metalinguagem estão entre os temas que a diretora carioca Cris D’Amato conjuga em seu primeiro longa-metragem, co-produção Ananã Produções, Globo Filmes e Fox Film. D’Amato estréia na direção com a segurança de quem capitaneou sets de filmagem como assistente de direção e diretora assistente em 29 filmes de longa-metragem ao longo de pouco mais de uma década.

domingo, 13 de março de 2011

Cineclub 14/03/2011




Nesta segunda tem:
RICARDO III - Um Ensaio


Em sua estréia como diretor, Al Pacino parte de uma montagem teatral do clássico de William Shakespeare para a contar a história propriamente dita e, ao mesmo tempo, mostrar os bastidores do desenvolvimento da peça, com detalhes como as conversas entre o elenco e a construção das personagens.

Com Al Pacino, Alec Baldwin, Aidan Quinn, Winona Ryder e Kevin Spacey.

sexta-feira, 4 de março de 2011

CarnaClown

No último dia vinte e seis de fevereiro, aconteceu o bélissimo e animado cortejo de carnaval dos palhaços do curso de Clown ministrado pelo "Mestre Mané" no CAC Walmor Chagas.
Dia 13 é a formatura da galera, todos estão convidados.
Bom carnaval á todos!!!!






O Cortejo do CarnaClown


Wallace Puosso ( Ator Cia. Teatro da Cidade)


Andréia Barros ( Atriz da Cia. Teatro da Cidade)


A palhaçada reúnida


Aquecimento




Camarim

terça-feira, 1 de março de 2011

teatrojornal

Entrem no link e curtam o Teatrojornal, vale á pena.
Agradecimentos especial de todos da Cia para o querido Valmir.
Grande Abraço!

www.teatrojornal.com.br




Duas narrativas de Abreu segundo a Companhia Teatro da Cidade





Ana Cristina Freitas, Wallace Puosso e Andréia Barros em Um dia ouvi a lua, direção de Eduardo Moreira - Tito Oliveira


A Companhia Teatro da Cidade cruzou em 2010 duas décadas de existência. E celebrou com dois espetáculos no repertório, trabalhos representativos de sua capacidade de fazer arte e produzir cultura em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, onde interage com políticas públicas junto à Fundação Cassiano Ricardo, responsável pela organização do Festivale, e mantém o seu próprio espaço, o Centro de Artes Cênicas Walmor Chagas. A região do interior paulista é berço de tradições populares, de festejos religiosos, de sotaques e saberes marcantes do imaginário caipira. Daí as variantes cômicas, trágicas e líricas singradas nas dramaturgias de Maria Peregrina, montagem de dez anos atrás, e de Um dia ouvi a lua, recém-estreada, ambas sob a lavra de Luís Alberto de Abreu - um interlocutor mais-que-perfeito na pesquisa continuada do núcleo em torno dos mecanismos narrativos.



Assistir às duas montagens, em intervalo de dias, é condição privilegiada para aferir o quanto são umbilicais.



Simbolicamente, Maria Peregrina evoca o céu e o mar na figura de uma santa de mesmo nome que um dia foi gente, uma cidadã das ruas do bairro de Santana, morta em 1964 e desde então mais uma lenda no panteão local - vulgo 'Nega do Saco' ou 'Maria do Saco'. Inevitável o paralelo com Nossa Senhora Aparecida, a santa negra que batiza a cidade vizinha e cuja imagem foi encontrada por pescadores no século 18.



Um dia ouvi a lua, por sua vez, deita à raiz do chão, à lavoura arcaica em que homens e mulheres semeiam sua moral conforme a transmissão familiar, adultos nostálgicos da inocência de quando não tinham experimentado a maldade de que o mundo também é feito. No título, o satélite da Terra incide diretamente sobre a essência da força do feminino a catalisar a cena.



Em ambos os textos subsistem os sentimentos que a todos guiam ou desviam, o amor romântico ou filial e suas contrafaces, a impossibilidade, a perda, a vingança passional. A negociação nessa gangorra da existência é dada pelas memórias às quais os personagens se acham agarrados ou traídos pela ausência dela.



Quanto à estrutura das duas narrativas, elas são tripartidas.



Em Maria Peregrina, há a história inspirada na personagem-título, em busca do filho morto, entrecontada pelas peripécias de um replicante de Jeca Tatu e pelo drama de uma paixão rediviva à maneira de Lorca.



Em Um dia ouvi a lua, três canções sobre o discurso amoroso dos matutos da chamada música de raiz são adaptadas para o ponto de vista da mulher - das caboclas, digamos assim. Estão lá as modas de viola de João Pacífico e Raul Torres, Cabocla Teresa; de Piraci e Luis Alex, Adeus, morena, adeus; e de Tonico e João Merlini, Rio pequeno - todas elas grávidas de idílios ou conflitos.



Outro eixo comum é o tratamento épico. Nas duas peças, as vozes do eu-personagem e do eu-narrador vão e vêm em recuos que aportam o espectador em relação ao desenrolar dos causos e da ação presente. A mitologia religiosa abarca romarias e novenas como panos de fundo em Maria Peregrina, o caminho penitente para Aparecida do Norte, enquanto o arquétipo da infância é dominante em Um dia ouvi a lua.



A década de estrada de Maria Peregrina dotou a encenação de despojo e refinamento verificáveis na cultura oriental secular. Há um equilíbrio de efeitos e recursos do Teatro Nô já desenhados na dramaturgia de Abreu e sacramentados pela direção de Claudio Mendel, cofundador da companhia. Mesmo com eventuais substituições ao longo desse período, o elenco de sete atores mostra-se decantado no processo em que a vitalidade em cena ou fora dela é exigida o tempo todo no espaço frontal e descoberto de uma ponta a outra. Contrarregragem, interação com objetos, trocas de figurinos e execução musical estão a cargo dos respectivos intérpretes, cantigas, percussões e incidências que respiram no mesmo pulso do que é enunciado, inclusive nos silêncios. Dá-se a química, peculiar aqui, que faz a caipirice ascender enquanto linguagem cênica, sem concessão, envolta em certas passagens sob o manto da teogonia e da ascese.




Adriana Barja, também como Tereza e Louca em Maria Peregrina, direção de Claudio Mendel - Divulgação




Em Um dia ouvi a lua, o ator e diretor Eduardo Moreira, cofundador do Grupo Galpão, é convidado a assinar a montagem gestada em processo de colaboração. São flagrantes as afinidades estéticas eletivas com o núcleo mineiro formado há 27 anos – a recriação das manifestações populares do interior, seu cancioneiro, sua crença, seu princípio gregário, etc. Moreira centra na criação do intérprete, na afirmação do jogo teatral a partir da linha tênue com as memórias de infância dos integrantes também acolhidas no texto.



Mas o universo da criança torna-se um problema. Boa parte do elenco não corresponde à pororoca lúdica para despir-se da estereotipia na voz e na gestualidade. A correlação com as brincadeiras de antanho às vezes estorva. É corrente a quebra de qualidades física e emocional entre o flashback e o pular cordas, o esconde-esconde, a cumplicidade coral. Quando 'adultos', os seis atores fluem mais seguros no tônus dramático na hora de cantar, narrar, representar.



A atriz Adriana Barja surge mais à vontade nesse trânsito de sutilezas de um extremo a outro da vida. Sua personagem Cabocla Tereza é paradoxalmente desejada e assassinada a tiros pelo marido que se diz desonrado na composição sertaneja assim como na diálética que casa a consciência do instante ao fato narrado. Impossível dissociar a atriz da sua outra performance como Tereza, homônima, morta a golpes de faca por um homem traído em Maria Peregrina – enésimo recurso de Abreu para as histórias conversarem entre si, mesmo que não tenham sido pensada embrionariamente uma para a outra, no que o tempo acabou emendando.



Como não poderia deixar de ser, outro elemento vital no projeto é a música, dirigida por Beto Quadros. Ele dividiu os arranjos com Ernani Maletta, assinatura marcante nos espetáculos do Galpão. Os atores estão afinados no cantar e no tocar, harmonizam com os sentimentos expressos nas canções. Mesmo quando cumprem coreografias, instrumentos colados ao corpo, ou ainda quando ziguezagueiam entre as malas – estas um signo potente, sem abuso.



A ressonância de Um dia ouvi a lua está no tom menor com que o espetáculo consegue pôr em primeiro plano as boas e tristes histórias e os seus contadores, isso desde a abertura, quando aparecem reunidos ao redor da fogueira no centro do palco. Eduardo Moreira conviveu semanas com os atores e chegou a bom termo. Fosse uma relação continuada – ele vive em Belo Horizonte -, quem sabe o elenco avançasse no todo na proposição de jogo para a cena.



E em simbiose com Maria Peregrina – pois toda a obra desse dramaturgo transmigra em seus próprios limites, ou deslimites –, temos ancorada a pena do demiurgo Luís Alberto de Abreu e a determinação em subverter a trajetória do herói e colocar a mulher em outros patamares.



(26 de fevereiro de 2011)





Um dia ouvi a lua



Adriana Barja
Ana Cristina Freitas
Andréia Barros
André Ravasco
Caren Ruaro
Wallace Puosso



Codireção: Claudio Mendel
Cenários e figurinos: Leopoldo Pacheco e Ana Maria Bomfin Pitiu
Direção musical: Beto Quadros
Arranjos musicais: Beto Quadros e Ernani Maletta
Iluminação: Claudio Mendel
Produção: Vander Palma
Produção executiva: Carla Maciel
Assistente de produção: Renata Siqueira

Maquiagem e cabelos: Leopoldo Pacheco

Fotografia: Tito Oliveira
Assessoria de Imprensa: Andréia Barros e Carla Maciel





Maria Peregrina



Adriana Barja

André Ravasco

Caren Ruaro

Conceição de Castro

Tamara Cardoso

Vander Palma.



Cenário e figurino: Carlos Eduardo Colabone
Iluminação: Daniel Augusto e Claudio Mendel
Fotos: Tito Oliveira e Rosi Canto
Assessores de imprensa: Andreia Barros e Diego Dionisio
Produção executiva: Carla Maciel

Sinédoque, Nova York

Sobrou para mim a tarefa (árdua) de escrever para esse blog sobre as sensações ao assistir ao filme Sinédoque Nova York, exibido ontem à noite (28/2), no Centro de Artes Cênicas (CAC) Walmor Chagas, dentro da programação do Cineclube Magneto. Confesso que ainda estou atordoada e incomodada e que desejo assisti-lo novamente.

O filme é a primeira direção de Charlie Kaufman (“Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” e “Quero ser John Malkovich”), e tem como protagonista o magnífico Philip Seymour Hoffman. Quantas perguntas:

Como identificar o limite entre realidade e ficção? Como lidar com nossos medos, anseios, desejos, neuroses, angústias? Os caminhos que trilhamos são exatamente aqueles que queremos “nos” encontrar? As nossas incertezas, as nossas dúvidas nos fazem ficar diante da morte? A morte é as nossas incertezas? O filme é catártico! Conta história de um diretor de teatro que passa por uma crise em seu casamento. Após exibir sua mais nova peça, sua esposa e sua filha mudam-se para a Alemanha. Ao mesmo tempo recebe a informação de que ganhou um prêmio, uma espécie de incentivo, para construir sua mais nova peça.
É um personagem submisso e que é simplesmente levado ao fluxo dos acontecimentos. Ao longo do filme, parece acumular a dor dessa submissão, sempre em um processo de reflexão interior, sem nunca compartilhar essa dor.
Durante esse processo de esclarecimento, começa a construir a sua "peça", cuja proposta é reproduzir suas dores, suas angústias e seu silêncio.

Tudo passa a ser o simulacro que anestesia o que existe como seu drama pessoal. É um filme maravilhoso por deixar existente esse paralelo entre a realidade e aquilo que reproduzimos sobre ela. Para quem faz teatro é obrigatório assistir. Sobre o ser e estar! A certeza e a dúvida! Sobre a dualidade de tudo! Sobre o homem! É... tudo a ver para quem faz teatro...ou não!



Andréia Barros

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Cortejo de Carnaval.


Fachada do CAC Walmor Chagas.A galera chegando para a batucada.


Douglas Mané e João.


João, Paulo Barja e Eva.


Vamos lá meu povo! A Bebel e o Joãozinho já estão curtindo.


Adriana Barja, Ana Cristina Freitas "Cia Teatro da Cidade e meninas lindas do Batucaia.


E o cortejo segue.

CORTEJO DE CARNAVAL DO CAC WALMOR CHAGAS

A concentração aconteceu em frente ao CAC Walmor Chagas. Havia músicos, palhaços, palhaços/músicos, atores, pessoas da comunidade do Jd. da Granja e a galera do “Grupo Batucaia” de Jacareí.
Mestre Renato do “Batucaia” pede a atenção de todos e começa sua fala agradecendo a Cia Teatro da Cidade pelo convite em participar do “I Cortejo de Carnaval do CAC Walmor Chagas”. Em seguida diz aos presentes: “vamos fazer o que aprendemos! Cada um sabe o instrumento que vai tocar pra cada ritmo. Vamos tocar maracatu, afoxé e congada e se der a gente fecha com o Zé Pereira. Mais... o mais importante de tudo: VAMOS NOS DIVERTIR!!!!”
E assim, seguindo a orientação do mestre, fomos à formação: o grupo “abre alas” ficou por conta das mulheres com seus Abês (ou Agbê ou Chequerê), em seguida “batucaios” com seus agogôs. E aí vinham as caixas seguidas das potentes alfaias, que enchiam nossos olhos com a diversidade de cores e pinturas.
Os palhaços - especialmente convidados para o cortejo – trouxeram alegria, singeleza e muito brilho para o nosso “cordão carnavalesco”.
Foi dado o sinal pelo mestre e, dessa forma começou a execução de todos os instrumentos. A partir dali, o som do Grupo Batucaia e dos Palhaços/Músicos, trouxe “algo” diferente para o Jardim da Granja, fazendo as pessoas saírem nos portões e nas janelas para ver o “Cortejo” passar.
O grupo seguiu por várias ruas, tocando, dançando e observando as pessoas que aplaudiam – da frente de suas casas – com palmas, sorrisos e olhares.
Durante o cortejo uma criança se aproximou dos palhaços e logo começou a interagir, ganhando uma baqueta do palhaço, que continuava gentilmente carregando o tambor para o menino tocar.
A noite ficou mais vibrante com a sintonia que aconteceu entre os artistas e as pessoas da comunidade Jardim da Granja. E era isso mesmo que desejávamos fazer: dar um presente para elas! E acreditamos que arte é o melhor que podemos oferecer, pois a arte transforma! Como transformou na noite de ontem o cotidiano dos moradores do Jardim da Granja, trazendo música e alegria para todos!!!
(Adriana Barja – atriz da Cia teatro da Cidade e integrante do Grupo Batucaia)






Queridos,


Ainda estou radiante pela noite de ontem!!


Me emocionei em vários momentos vendo todos juntos felizes, "mostrando" seus talentos.
Parabenizo todos pela bela apresentação e peço a benção dos mestres da cultura popular para que dê vida longa ao Batucaia.


Parabenizo à todo pessoal do CAC Walmor Chagas pelo trabalho que desenvolvem na comunidade e agradeço o convite e todo o carinho com que nos receberam.


Agradeço principalmente a Adriana e a Ana Cristina e nosso querido professor Renato por acreditar na gente e pelo belo trabalho que levou as ruas.


Voltei ontem feliz mas com uma pulga atrás da orelha que não me deixava dormir.
Esse grupo tem que ter vida longa, precisamos dividir momentos como esse muitas outras vezes e nos apropriarmos dessa idéia de grupo, de coletivo, de fazermos parte , de sermos co criadores. Não sinto o Batucaia como um grupo do Instituto Sapucaia, vejo que um dia pode ser uma proposta independente. Penso que hoje o Sapucaia disponibiliza a produção e o estudo desse grupo mas vejo além disso....quero, desejo muitas batucadas ao Batucaia, muito aprendizado e muita troca e parceria.


De coração quero muito a continuidade desta proposta e muitas batucadas pra adrenalizar a gente!


Mais uma vez agradeço todos você por se achegarem ao Instituto e por acreditarem no Construindo Música. Pra mim foi um orgulho ver todos lindos pelas ruas de sjcampos... adorei o naipe de abês das meninas puxadoras de toadas, as saias coloridas e esvoaçantes, os rebolados e gingas, adorei sentir a música do Batucaia!!

Beijos nos corações.


Axé,
Bia

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Cineclube tem mais nesta Segunda dia 28.




SINOPSE

Estréia do aclamado roteirista Charlie Kaufman (Quero Ser John Malkovich, Adaptação, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças) como diretor.
Através de uma narrativa com multicamadas, o filme conta a história de Caden Cotard (Philip Seymour Hoffman), um diretor de teatro frustrado, hipocondríaco e egoísta está preparando uma nova peça, ao mesmo tempo em que enfrenta problemas pessoais. Sua esposa, Adele Lack (Catherine Keener), resolveu deixá-lo para morar em Berlim, levando consigo a filha. Madeleine Gravis (Hope Davis), sua terapeuta, aparenta estar mais interessada em divulgar seu Best Seller do que em ajudá-lo.
Preocupado com transitoriedade de sua vida e seu estado de saúde, cada vez mais debilitado, Caden decide reunir um grupo de atores em um armazém de Nova York. Lá ele tem a incumbência de escrever uma peça e tentar refazer o seu mundo no palco em cada detalhe.
Mas conforme a cidade dentro do armazém cresce, a vida de Caden sai completamente dos trilhos. Em algum lugar em Berlim, sua filha cresce sob a questionável orientação de Maria (Jennifer Jason Leigh), amiga de Adele. Sammy (Tom Noonan) e Tammy (Emily Watson), os atores contratados para interpretar Caden e Hazel, tornam mais difícil para Caden reavivar seu relacionamento com a verdadeira Hazel.
Esse emaranhado de relações reais e teatrais distorce as fronteiras entre o mundo da peça e a realidade decadente de Caden.

Poesia


Ciranda de poesia



Tivemos o prazer de ontem à noite (23/02) participarmos do projeto Ciranda de Poesia, no Espaço Cultural Bola de Meia, em São José dos Campos, que levou para a “ciranda” a discussão sobre a obra do nosso companheiro de palco e labutas, Wallace Puosso. Na mediação, outro grande poeta: Braga Barros.

Fiquei orgulhosa do ator e poeta, do amigo e companheiro e, acima de tudo, do artista. Quem me dera ter essa sensibilidade para passar para o papel momentos de história, de vida e de tantos sentimentos. Para escrever esse depoimento já estou “suando”. Tudo ajudou para a noite: o clima, a presença de poetas da cidade e o espaço do Bola de Meia, sempre aconchegante. Destaque para o ator Nélio Fernandes, que apresentou um belo e instigante trabalho de partitura corporal.


Andréia Barros



Minha paixão por poesia me propicia experiências muito intensas: desde a simples leitura até a participação em shows e eventos de poesia. Desta forma, conheci muitos escritores e poetas daqui de nossa cidade.
São José dos Campos apresenta hoje um número considerável de escritores e poetas de muita qualidade literária. Isto, com certeza, é motivo de orgulho pra cidade!
A noite de ontem (23/02/2011) foi marcada pela apresentação da obra literária do ator e poeta Wallace Puosso e isso foi motivo de muito orgulho para a Cia Teatro da Cidade, pois "O CARA" é ator integrante da cia e ESCREVE MUUUUITO!!!!!!
Já conhecia grande parte de seus escritos, pois acompanho o blog "demora mais chega" onde ele participa juntamente com outros poetas maravilhosos da cidade.
Suas influências partem do “movimento beat”, imortalizado pelos escritores Allen Ginsberg, William S. Burroughs e Jack Kerouac. Por artistas como: Jim Morrison (The Doors), Bob Dylan, Renato Russo e tantos outros que o marcaram em sua jornada literária. Cinéfilo de carteirinha apresenta em sua produção literária, clara influência do cinema, pois seus escritos nos remetem a verdadeiros roteiros cinematográficos que transbordam imagens.

Mas para a minha surpresa, na noite de ontem, fui irremediavelmente arrebatada por um belo texto que Wallace escreveu a partir de suas sensações de uma cena do espetáculo "Maria Peregrina", que completa 11 anos de existência com a Cia Teatro da Cidade.
Foi muito interessante e emocionante saber o "olhar do poeta" diante de uma cena de paixão impossível (Tereza e Aventino) na qual apresentamos nos palcos com tanta verdade.
Após esse encontro que me propiciou momentos tão intensos e prazerosos, vale parabenizar os responsáveis por isso: o poeta Braga Barros, grande poeta e mediador do projeto “Ciranda de Poesia”, aos integrantes do grupo “Bola de Meia” que viabilizam este encontro em sua sede, e principalmente ao poeta, ator e grande amigo Wallace Puosso por sua grandiosidade como artista e ser humano!

Adriana Barja (atriz da Cia Teatro da Cidade)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Entre realidade e ficção: o cinema urgente de Eduardo Coutinho


No último dia 07, segunda-feira, iniciamos as atividades do Cineclube Magneto no Centro de Artes Cênicas Walmor Chagas, com o documentário “Jogo de Cena”, de Eduardo Coutinho.
Nesse primeiro momento, optamos por filmes que descortinassem o processo criativo, instigassem o debate das artes interpostas (cinema e teatro) e com isso, possibilitassem um debate rico e produtivo sobre o fazer artístico.
Com “Jogo de Cena”, tivemos uma aula sobre narrativa.
Em suas quase duas horas, o documentário expõe fronteiras num jogo de metalinguagem com o próprio título, deixando ao espectador o benefício da dúvida: quem de fato está contando aquelas histórias? Onde termina a representação e começa o depoimento?
No fundo, no fundo, não importa muito quem depõe (narra sua própria história) ou quem interpreta. A cada história daquelas mulheres, nossos olhos marejam, nosso coração fica apertado, nossa emoção aflora.
Desta forma, a narrativa só faz sentido se, quem estiver contando a história (seja sua ou não) tiver vontade de contar essa história. Fácil não é, mas é simples, mais do que a gente imagina.
Tivemos um público de 16 pessoas, com direito à pipoca e debate no final.
No dia 28 de fevereiro, daremos prosseguimento à programação inaugural, com o filme “Sinedoque, Nova York” do aclamado roteirista norteamericano Charlie Kaufman.


Wallace Puosso
Coordenador do Cineclube Magneto

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Cineclube no CAC Walmor Chagas.

Nesta segunda dia 14/02/2011.
Vamos dar a partida no nosso Cineclube, todos estão convidados.







título original: Jogo de Cena
lançamento: 2007 (Brasil)
direção: Eduardo Coutinho
atores:Marília Pêra, Andréa Beltrão, Fernanda Torres
duração: 105 min
gênero: Documentário




Sinopse


Atendendo a um anúncio de jornal, 83 mulheres contaram sua história de vida em um estúdio. 23 delas foram selecionadas, em junho de 2006, sendo filmadas no Teatro Glauce Rocha. Em setembro do mesmo ano várias atrizes interpretaram, a seu modo, as histórias contadas por estas mulheres.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

3a Edição do Prêmio CPT

8 de fevereiro de 2011


Maria Alice Vergueiro, Luciano Chirolli e Paschoal da Conceição, escolhidos como o Melhor Elenco, pelo espetáculo "As Três Velhas".

Por Letícia Holanda

Com a presença de Antunes Filho, Maria Alice Vergueiro, Paschoal da Conceição e Sebastião Milaré, a classe artística teatral representada por cerca de 200 pessoas, se reuniu na noite de ontem (07), no Teatro Coletivo, para conhecer os vencedores do Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro 2010, nas 14 categorias.
O prêmio de Melhor Dramaturgia foi dado a Antônio Rogério Toscano por “Bielski”, da Cia. Levante e o de Melhor Direção foi concedido a Rodolfo García Vasquez por “Roberto Zucco – Hipóteses para o amor e a verdade”, da Companhia de Teatro Os Satyros.
Maria Alice Vergueiro, Luciano Chirolli e Paschoal da Conceição foram escolhidos como o Melhor Elenco, pelo espetáculo “As Três Velhas”, da Companhia de Teatro Pândega. E Antunes Filho, que no ano de 2010 esteve em cartaz com “Policarpo Quaresma”, recebeu o prêmio de Melhor trabalho apresentado em sala convencional, dividindo a premiação com Leonardo Moreira do espetáculo “Escuro” da Cia Hiato.
O prêmio não só reconheceu os trabalhos de São Paulo, mas também de grupos do litoral e interior paulista, como a Trupe Olho da Rua, da cidade de Santos que foi premiada como Companhia Revelação do ano de 2010; “A farsa do advogado Pathelin”, do grupo Rosa dos Ventos (Presidente Prudente), escolhido como o Melhor Trabalho Apresentado em Rua e “Um dia ouvi a Lua”, da Cia. de Teatro da Cidade (São José dos Campos) premiado como melhor Trabalho apresentado no interior e litoral paulista.
Sebatião Milaré ganhou a categoria de melhor publicação com os livros: “Hierofania” (Edições SescSP) e “Batalha da Quimera” (Edições Funarte).
Américo Córdola, Secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (MinC), que compareceu a cerimônia falou sobre a importância da premiação. “Eu considero esse prêmio muito importante, por que é um reconhecimento de esforço de toda uma produção, ele é muito democrático, as categorias são muito criativas. É um importante momento de encontro, onde cada um respeita o trabalho do outro, e principalmente é um prêmio que reconhece grupos de todo Estado de São Paulo, não somente da capital. E o grande mérito é dar esse reconhecimento a grupos revelação junto com grandes mestres do teatro brasileiro.
Confira abaixo a lista completa dos premiados:


1- Dramaturgia – Criação individual ou coletiva em espetáculo apresentado em sala convencional, rua ou espaço não convencional
Ganhador
Antônio Rogério Toscano – Bielski


2 – Direção – Criação individual ou coletiva em espetáculo apresentado em sala convencional, rua ou espaço não convencional
Ganhador
Rodolfo García Vasquez, por Roberto Zucco / Hipóteses para o amor e a verdade.


3 – Elenco – Em espetáculo apresentado em sala convencional, rua ou espaço não convencional
Ganhador
- As três Velhas (Maria Alice Vergueiro, Luciano Chirolli e Paschoal da Conceição)


4 – Trabalho apresentado em sala convencional
Policarpo Quaresma (Antunes Filho)


5 – Trabalho apresentado em rua
Ganhador
A farsa do advogado Pathelin, da Companhia Rosa dos Ventos (Presidente Prudente)


6 – Trabalho apresentado em espaços não convencionais
Ganhador
A Saga do Menino Diamante – Uma Ópera Periférica, Coletivo Dolores Boca Aberta.


7 – Trabalho para plateia infanto-juvenil apresentado em sala convencional, rua ou espaço não convencional
Ganhador
Amazônia Adentro, da Cia. Conto em Cantos


8 – Grupo ou Companhia revelação, do interior, litoral ou capital do Estado
Ganhador
Trupe Olho da Rua (Santos)


9 – Trabalho apresentado no interior e litoral paulista, em sala convencional, rua ou espaço não convencional
Ganhador
Um dia ouvi a Lua, da Cia. de Teatro da Cidade (São José dos Campos)


10 – Projeto Visual – elementos plásticos e visuais do espetáculo e sua realização cênica: iluminação, cenografia, figurino, adereços, maquiagem
Ganhador
Paulo Faria: Re-bentos – Trilogia Degenerada.


11 – Projeto Sonoro – elementos sonoros do espetáculo e sua realização cênica: palavra, canto, trilha original ou adaptada, arranjos e sonoplastia.
Ganhador
Os Boêmios de Adoniran (Banda ao Vivo – Músicas de Adoniran Barbosa)
Músicos: Léo Ferreira, Marcelo Brandão, Vitor Ramos e Paulinho Farias.


12- Ocupação de espaço – Compreendendo sala convencional, rua ou espaços não convencionais, no interior, litoral ou capital do Estado.
Ganhador
V Edição da Mostra Lino Rojas
Pela ocupação na Praça do Patriarca e diferenciados outros espaços da periferia da cidade de São Paulo.


13 – Publicação dedicada ao universo do teatro, suas diversas vertentes, relações e linguagens, em projetos de Grupos e Companhias teatrais, instituições ou similares.
Ganhador
Sebastião Milaré Livros: Hierofania (Edições SescSP) e Batalha da Quimera (Edições Funarte).


14 – PRÊMIO ESPECIAL
Ganhador
Aos Movimentos 27 de Março, Roda do Fomento e Movimento de Teatro de Rua. (Pelo importante engajamento militante e político pela Cultura do País).
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*****NOSSAS SENSAÇÕES POR ANDRÉIA BARROS*****

Sensações!

E lá estávamos nós!Adriana, Ana, Wallace e eu. Noite de segunda-feira (7/2), solenidade de entrega do prêmio CPT 2010, concedido pela Cooperativa Paulista de Teatro, aos melhores do teatro da Capital e interior. A premiação foi no Teatro Fábrica, na Consolação em São Paulo, que já nos traz boas lembranças, quando em 2008 a Cia ocupou duas salas desse espaço com Toda Nudez Será Castigada e Maria Peregrina. Estavam lá também, o mestre Antunes Filho, a grande guerreira do teatro brasileiro Maria Alice Vergueiro, o encenador Eduardo Tolentino, Cibele Forjaz, Alexandre Mate, Lizette Negreiros, Sebastião Milaré, além de integrantes de grupos importantes de São Paulo e do interior, como o La Mínima, Tapa, Cia do Latão, Rosa dos Ventos, entre tantos outros.
Como diz a querida Dani Biu, apresentadora da noite, caso uma bomba fosse jogada no auditório, grande parte do patrimônio cultural do país seria perdido.
Já estávamos felizes por receber duas indicações pela montagem de “Um Dia Ouvi a Lua”: Melhor Dramaturgia para Luís Alberto de Abreu e Melhor Espetáculo do Interior do Estado de São Paulo.
O coração disparava a todo o momento, quando os indicados eram apresentados em um grande telão. O prêmio de dramaturgia ficou para Rogério Toscano pelo texto de “Bielski”. Merecido!
E depois de muita espera chegou a nossa vez. Explode coração! Queremos mais. Continuar com o trabalho e botar o pé na estrada e apresentar pelo Brasilzão!
Andréia Barros

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Noite de premiação CPT




Prêmio!!!!!

Um Dia Ouvi a Lua, peça que comemora 20 anos de existência de grupo joseense, é premiada como melhor espetáculo do interior paulista.

“Um Dia Ouvi a Lua” da Cia Teatro da Cidade de São José dos Campos conquistou o prêmio CPT 2010 de Melhor Espetáculo do Interior do Estado de São Paulo, concedido pela Cooperativa Paulista de Teatro. A montagem, que também recebeu indicação na categoria Dramaturgia para Luís Alberto de Abreu, concorreu com mais cinco espetáculos produzidos no ano passado no Estado.
A entrega do prêmio foi realizada na noite da última segunda-feira (7), no Teatro Oficina, em São Paulo, e contou com a participação de mais de 300 artistas da capital e do interior paulista.
Ao todo foram 14 categorias, sendo pelo menos seis indicações para cada uma delas, no primeiro e segundo semestres de 2010. “Um Dia Ouvi a Lua” concorreu com as peças “A Farsa do Advogado Pathelin”, do grupo Rosa dos Ventos, de Presidente Prudente, “Terra Papagallis”, da Trupe Olho da Rua, de Santos, “Bielski”, Cia Levante, de Santo André, “João de Barros - Mais uma brincadeira poética”, Cia. Engassa Gato, Ribeirão Preto, e “São Jorge e o Dragão”, Cia. Cornucópia de Teatro, Ribeirão Preto.


Montagem

Escrita por Luís Alberto de Abreu especialmente para o grupo joseense, em comemoração aos seus 20 anos de existência, a peça retrata o universo caipira e narra histórias de amor sob o ponto de vista de três mulheres: Beatriz, Tereza e S´A Maria.
As canções Adeus, Morena, Adeus (Piraci/Luiz Alex), Cabocla Tereza (João Pacífico/Raul Torres) e Rio Pequeno (Tonico/João Merlini), gravadas pela famosa dupla caipira Tonico & Tinoco e que narram histórias de amor sob o olhar masculino, foram inspiração para a criação do espetáculo.
Criado por meio de processo colaborativo entre dramaturgo, direção e criação de atores, o espetáculo utiliza as linguagens do teatro Narrativo/Lírico e do Nô japonês, mas de forma popular e bem brasileira.
A montagem foi realizada por meio do ProAc (Programa de Ação Cultural), da Secretaria de Estado da Cultura, estreou no último mês de março no Sesc São José dos Campos e já percorreu oito cidades do interior paulista, entre elas São Carlos, Santos, Bragança Paulista e São Sebastião.
A direção é de Eduardo Moreira, um dos fundadores do grupo Galpão de Belo Horizonte (MG), e a criação de cenário, figurinos e adereços de Leopoldo Pacheco, prêmio Shell de figurino em 2002 e 2003 pelos espetáculos Gota D´Água e A Mulher do Trem, respectivamente, e da artista plástica Ana Maria Bomfin Pitiu, de São José dos Campos.
O músico Beto Quadros, integrante do Trem da Viração e pesquisador de músicas regionais, é o responsável pela direção musical do espetáculo, e Cláudio Mendel assina a codireção e iluminação. A preparação corporal do elenco é assinada pelo coreógrafo e bailarino Robson Jacquè.


“Um Dia Ouvi a Lua” reúne seis atores da Cia Teatro da Cidade: Adriana Barja, Ana Cristina Freitas, André Ravasco, Andréia Barros, Caren Ruaro e Wallace Puosso.

www.ciateatrodacidade.com.br

Contato para a imprensa
Andréia Barros - (12) 3921-5367 ou (12) 7814-9934
andreiacentral@gmail.com

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O teatro e só o teatro!

Quando comecei a fazer teatro, nos idos da década de 80, ainda adolescente, me lembro de um amigo (hoje jornalista) que, após um acontecimento “inusitado”, me disse: “O teatro e só teatro possibilita acontecimentos e fatos na sua vida, que você não imagina no seu cotidiano”. Sempre me lembro dessa frase. O teatro me possibilita tantas coisas “inusitadas”. Apresentar um espetáculo na Bolívia! Em Itajaí, Santa Catarina! E pior: sem poder ir à praia. E tantas outras coisas inusitadas: algumas boas para lembrar e outras, sinceramente, quero esquecer.
Mas, hoje, tive um fato inusitado que me deixou muito feliz e que quero lembrar muito. No início da década de 90, a Fundação Cultural Cassiano Ricardo, ainda sob a batuta da professora Fátima Manfredini (também um fato “inusitado” e que ainda hoje lembro com carinho) contratou “monitores” formados pelos cursos oferecidos pela entidade para dar aulas aos “iniciantes”.
Após a Fátima, veio o André Freire, que reformulou o projeto e lá estava eu como “professora” e o meu querido Márcio Douglas como “aluno”. Infelizmente (para mim), não dei aula para ele diretamente, já que a minha turma era no Putim. Mas me lembro de seus “professores” falando do “aluno” nas reuniões de avaliação do curso, no qual fui “expulsa” pelo então coordenador contratado pela Fundação Cultural. Mas isso é outra história “inusitada” que prefiro não lembrar!
E, hoje, quase 20 anos depois, lá estava eu no CAC Walmor Chagas como “aluna” do meu querido “professor” Márcio Douglas! O teatro e só o teatro! Participo, junto com mais 30 pessoas, do curso de palhaço/clown do ator e palhaço (que para mim é um dos melhores do Brasil) do Márcio Douglas, que começou nesse sábado (29/01), e que acontece em três módulos, divididos em finais de semana dos meses de janeiro, fevereiro e março.
Foram tantas as inscrições que o ator/palhaço teve que finalizar a turma, mas com a promessa de um futuro próximo fazer outro curso. Bom pra nós todos!


Andréia Barros

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Presença, ausência, passagem...




Essas foram as três palavras que utilizamos para criar cenas individuais no treinamento de ontem (28/01), que contou com as presenças da Adriana, Conceição, Thaís, Vander, Wallace e eu. O Atul Trivedi também esteve no treinamento instigando os atores no processo de criação. Na realidade, tentamos criar cenas, mas não chegamos lá. Fizemos exercícios em que o impulso era o pé e a, partir dele, as sensações, corpo, gestos e andar.
Acho que só o Vander conseguiu algum resultado, partindo das três palavras, sob olhar feminino.
Deixamos essa tarefa para casa. No próximo encontro, cada um deve apresentar uma cena para cada palavra ou juntá-las em uma ação somente.
O treinamento está muito gostoso, fluindo e bem menos cansativo agora.
Andréia Barros

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Atores e seus treinamentos.

Treinamento: 25/11/2011

Começamos a ter mais consciência de nossas possibilidades corporais, observamos evoluções no sentido postural e estamos aos poucos superando limites!
Isso tudo foi percebido ontem após o alongamento que tem a finalidade de - além do aquecimento e da preparação do corpo para o exercício – desenvolver a consciência corporal, na medida em que se focaliza a parte do corpo que está sendo alongada. Como atriz/terapeuta, tenho o conhecimento de que o alongamento também ajuda a liberar movimentos que foram bloqueados por tensões emocionais.
Em nosso caso, buscamos também nesse momento trazer nossa atenção e pensamentos para o corpo, deixando as questões cotidianas para “fora” do nosso espaço de trabalho. Vamos em direção a um treinamento que propicie uma energia extra-cotidiana que vise trabalhar o tão desejado “estado” do ator.
Ontem, partimos para exercícios que colocaram nossos sentidos em alerta: ao pular corda no escuro, fomos guiados por nossa audição e ampliamos nosso corpo perceptivo.
No exercício de ações físicas, desenvolvemos ainda mais nossa criatividade e o mais importante: o jogo! Colocamo-nos em prontidão!
Porém, foi na atividade de expressão corporal que conseguimos atingir o trabalho coletivo. Em nossas observações procuramos relacionar cada atividade com o trabalho de cena e o ofício do ator. Experimentamos a intensidade do estado de prontidão, “da entrega” e também “do receber”, ou seja, do jogo cênico!

Adriana Barja٭


Prática...
Acredito cada dia mais que prática é o que de melhor podemos ter na vida, pessoal e profissional, e isso inclui diretamente o teatro.
Reacender os corpos talvez essa seja a palavra chave.
Toda vez que nos propomos fazer qualquer ação física acredito que estamos de novo e mais um dia reacendendo os corpos, a mente a criatividade.
A prática faz com que a gente se permita enquanto atores e artistas, e como humanos também. Acredito que é na prática que descobrimos os medos, as inseguranças e as diferenças, e isso pra mim é realmente maravilhoso. Na prática conseguimos compartilhar experiências e enriquecer, acima de tudo evoluir.
Hoje 26 de janeiro de 2011 – Terça – feira, quando pulei corda no escuro , percebi o medo de errar, parei algumas vezes, fiquei tonta, talvez pela insegurança, pelo pavor da escuridão, já que essa nos traz lembranças tão estranhas, que criança gosta de escuro? Quando não se sabe que a noite também é boa. E foi assim, meus colegas me encorajaram, e me mostraram que se permitir à coisas que se tem medo é muito bom, pulei e quando entrei no jogo sem pensar em mais nada, só ouvindo a corda bater no chão, foi ótimo. Me entreguei.E mais uma vez me iluminei com o teatro reacendendo meu corpo.
reacender (ê) v. tr.
1. Acender novamente.
2. Excitar; estimular; avivar; desenvolver; activar!.
3. Fig. Dar novo ardor a.

Ana Cristina Freitas




"Corpo/ concentração. Relaxamento/tensão. Idéias. Mais idéias. Conflitos internos que desejam flutuar pelo espaço. O corpo pede Treinamento e a mente agradece ao realizá-lo. Eu agradeço a oportunidade e o aprendizado." Thais Lopes


" Um ensaio de teatro deve ser um ato teatral. A partir do momento em que chegamos lá até o momento de ir embora, todo o nosso comportamento deve ser teatral. Alguém que assiste ao ensaio deve sair com a sensação de ter visto uma grande peça, cujo assunto é um ensaio de uma peça de teatro." Domingos de Oliveira.
THAIS LOPES

Respiração. Cerimônia (ritual de preparação). Obediência ao mestre. Uma outra maneira de enxergar coisas óbvias. Rotina pelo avesso. Desafio frente ao desconhecido. O medo é um aliado: se ele existe é porque algo está faltando.

Wallace Puosso

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Treinamentos






Corpos em ação, em movimento, corpos eletrizados.
Corpos cheios te atenção, em prontidão em preparação.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Descobertas Sempre!

As obras de Mantegna, Watteau, Bosch, Strozzi e Lairana (única artista brasileira nesse primeiro momento) foram a inspiração para a criação de cenas dos atores que participaram do treinamento de quinta-feira (20/01), no CAC Walmor Chagas.
O encontro contou com a participação da Adriana, Ana, Andréia, Wallace, além da Thaís e Conceição, que foram pela primeira vez. O “quorum” está aumentando, diz a Dri.
As cenas foram individuais e, claro, mais erros que acertos. Porém, como diz a mestra Sara Lopes, “em teatro não existe certo ou errado e sim o que precisa ser feito”. Vamos chegar no que precisa ser feito.
A proposta era simples e, em teatro, a simplicidade sempre é problema: partir de uma ação para chegar à imagem. Sensações, ritmo, objetivo, movimento e, claro, ação são pontos que precisam ser considerados.
Mas estamos no começo da proposta. O treinamento, porém, já está cada vez melhor. Atenção, prontidão, integração e concentração! Incluem-se as “novatas”... no treinamento, entenda-se muito bem!
Andréia Barros

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

centro de ação



Mestre Janô já havia nos provocado recentemente: é preciso descobrir quais são os exercícios necessários para o que buscamos enquanto atores.
Este é o Santo Graal da nossa busca.
Nesse terceiro dia de treinamento avançamos um pouco mais em nosso trabalho corporal.
Os exercícios de alongamento propostos pela Adriana são preciosos instrumentos para expandir / dilatar os corpos cansados de cotidiano e rotina. Começa em partes específicas do corpo e num dado momento, tomamos consciência de todo o nosso corpo.
Em seguida a corda, como “guia” para prontidão e concentração.
com os bastões, primeiro o trabalho individual, ao caminhar pela sala com o bastão equilibrando-se na palma da mão e o olhar (sempre ele!) atento e focado. Depois, outro exercício de treinamento dos samurais: troca de bastão 4x1. Nesse exercício, especificamente, experimentamos as sensações as quais Bergson se refere em seu “Matéria e Memória”.
Em seguida – ainda com os bastões – todos em círculo e a movimentação do grupo (em sentido horário e depois anti-horário) segue uma liderança natural, estabelecida pelo olhar.
Ao final do treinamento de bastão, o corpo responde melhor a estímulos externos, à memória, corpo este em prontidão para o processo criativo do ator.
Na última parte do treinamento, lemos mais um capítulo da obra de Bergson e Vander puxou a discussão do seguinte paradoxo: entre o aprendizado teórico (Bergson) e um ator mais preparado para a cena (resultado esperado, aplicação prática desejada), onde ficam os exercícios que fazem a “ponte” entre um e outro?
Essa discussão durou quase uma hora e foi de suma importância para chegarmos à conclusão que, os tais exercícios que buscamos estão registrados na trajetória que cada um carrega. Os processos de ensaio dos espetáculos, das performances, os diversos workshops que realizamos ao longo dos anos, etc.
Wallace sugeriu que cada um rememore exercícios fundamentais que já experimentaram em outros processos e os traga para aplicarmos em nosso treinamento.
Andréia sugeriu que criemos pequenas cenas a partir da nossa relação com o nosso espaço de trabalho – CAC Walmor Chagas. E que, ao darmos tratamento de exercícios cênicos a estas cenas, possamos comungar / dividir / compartilhar com o público, nossas descobertas.
Às vezes, conversas dessa natureza, fazem com que enxerguemos nossos pontos fracos e nossas potências.
Ao enxergarmo-nos podemos finalmente estar presente “de forma pura” para o outro. O espectador. O companheiro de cena. O ator-jogador, o performer.
Interiorizar-se. Limpar camadas, chegar à essência.
O impulso vem do interior e contagia o externo.
A troca com o outro. O gesto exato. A troca do que é vital com o outro.
Estar inteiro. Estar.
São coisas como essas que estabelecem princípios de teatro de grupo.
Eis aí nosso centro de ação: teatro de grupo não se faz só com ideologia e discursos estéticos.
Se faz – principalmente – com o “estar presente”.

Portanto, estiveram, estão: Adriana Barja, Ana Cristina Freitas, Andréia Barros, Vander Palma e Wallace Puosso.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Corpo


TÍTULO: Preparação do atuador: limite, virtual, memória e vivência.
AUTOR: Renato Ferracini
INSTITUIÇÃO: LUME – UNICAMP
GT: Territórios e Fronteiras
PALAVRAS CHAVE: Atuação, Interpretação, Representação


Ler o conceito de pré-expressividade como um conceito de ação não expressiva, ou ainda,
ação antes da expressão é um erro. O corpo expressa. O corpo cotidiano expressa sempre. Mesmo o
suposto vazio e a inação são uma forma de específica de expressão. Mas podemos dizer que as
expressões cotidianas são varridas por um coletivo múltiplo de gestuais lugares-comuns. Clichês e
sensos comuns corpóreos regem as expressões cotidianas, sejam elas coletivas ou singulares. Isso
obviamente não é uma crítica. Esses gestuais clichês e sensos comuns nos permitem a comunicação
do dia-a-dia e, portanto, são necessários a uma época, cultura e a singularidades inseridas nesse
território temporal e espacial específico. Mauss e Le-Breton possuem estudos profundos nesse
sentido. Mas a arte corporal, o corpo-subjétil busca a transgressão desses limites expressivos
cotidianos. E para isso ele precisa de preparação.
Preparar um corpo-subjétil1 é buscar ir além dessa géstica cotidiana. Treinar e preparar o
corpo pré-expressivamente é o mesmo que realizar uma pós-expressão cotidiana, pós no sentido de
novas possibilidades, pós-possibilidades. Buscar potências de possibilidades, levar o corpo em uma
jornada de possíveis: isso é pré-expressividade e não há nada mais expressivo que a préexpressividade.
Para se lançar nesse território pré-pós-expressivo (portanto entre) o corpo necessita
de um território cujo tempo e espaço possam ser dobrados, reconfigurados e cuja potência de ação
possa ser alegre no sentido espinosano de aumento de possibilidade de afeto. É dessa necessidade
que vem a palavra treinamento. Mas cada ator, cada grupo, cada corpo-subjétil constrói o seu
próprio treinar e treinar esse corpo-subjétil não é tão somente um trabalho necessariamente
realizado em sala por um período determinado de tempo. O treinar é uma busca de estado e não
exercícios a serem executados em um espaço-tempo exato. Na verdade, no estado do treinar, pouco
importa a execução precisa e exata do exercício ou sua evolução enquanto complexidade. Importa,
sim, o uso de trabalhos e exercícios para se atingir um limite, uma borda, criar uma fissura em sua
géstica conhecida e cotidiana ou mesmo em seus clichês expressivos artísticos singulares no caso de
um ator com experiência..
1 CORPO-SUBJÉTIL: um corpo-em-arte não pode ser conceituado como uma ponta de um dualismo, mas
como um corpo integrado e vetorial em relação ao corpo com comportamento cotidiano. Chamei, então, esse
corpo integrado de corpo-subjétil. Esse conceito não é um ponto ou outro de uma dualidade mas uma
diagonal que atravessa essa dualidade abstrata e todos os pontos e linhas “entre”.
Esse treinar – quase uma ética - essa pré-pós-expressividade está alicerçada em dois
pilares básicos que são três multiplicidades complexas e que se comunicam em rizoma: a memória e
a vivência.
A memória é duração. Segundo Bérgson, ela – a memória - acumula o passado em um
presente que sempre passa. Mas o passado não é acumulado tão somente em formas de lembranças
concretas, mas é acumulado, principalmente, em forma de virtuais de memória que se aglomeram
independentemente de nossa vontade, criando uma espécie de memória ontológica. Estamos sempre
atualizando esses virtuais. Essa atualização pode ser meramente mecânica, ou seja, através do
controle de nossa vontade, quando dirigimos um carro, por exemplo, atualizamos mecanicamente os
virtuais de memória do coletivo de ações do guiar ou essas memórias são atualizadas independentes
de nossa vontade: um cheiro que nos remete a uma lembrança, um gosto de nos remete a um estado
de memória: Proust traduz magnificamente essa potência independente de atualização de memória
em sua passagem sobre o gosto do bolinho de Madeleine, lembrança da infância do herói, na cidade
de Combray, atualizada pelo gosto do bolinho com chá. Mas a ação de atualização não é nunca uma
ida do presente ao passado em uma espécie de re-vivência da lembrança, mas uma atualização é
sempre uma vinda do passado ao presente, sempre gerando uma recriação da lembrança no aqui
agora. É por isso que toda atualização é uma criação: a vinda do passado ao presente recria a
passado nesse mesmo presente.
Acredito que haja uma espécie bem específica de atualização de memória que é a
atualização de memória corpórea para um fim estético. Estamos falando, agora, da capacidade do
atuador em buscar uma atualização dessa memória corpórea, recriando sempre um fluxo poético
nesse movimento, ou seja, a capacidade de criar e sempre recriar esse fluxo através da atualização
de virtuais de forma consciente, mas não mecânica. Estou dizendo da capacidade do atuador em
atualizar a experiência vivida por Proust em sua Madeleine de forma consciente, com o corpo, pelo
corpo, através do corpo. Esse movimento, esse fluxo é possível devido à busca consciente da
atualização de vivências intensivas trabalhadas em estado de treinamento e vivência deve ser
entendida aqui como algo que:
[...] é trazida para fora da continuidade da vida, permanecendo
ao mesmo tempo referida ao todo da própria vida.[...] Na medida que a
vivência fica integrada ao todo da vida, este todo se torna também
presente nela (Gadamer, 2006, p. 116).
Isso significa que, segundo Gadamer, uma vivência teria a capacidade de, ao mesmo
tempo, realizar um certo desvio de fluxo da vida, mantendo nesse mesmo desvio o todo potente da
própria vida; e esse desvio vital - que contém o todo da vida - faz parte da própria vida. Uma
vivência, nesse caso, é uma experiência intensiva, vital, lançada de forma potente na duração virtual
de memória, mantendo o todo da potência vital dentro dela. Em outras palavras, vivenciamos
experiências que são acumuladas em virtuais potentes de memórias. Esses virtuais potentes de
memória contêm, em si, todo o potencial da própria vida: parte e todo como um só rizoma. Esses
virtuais de vivência intensiva, que podemos chamar de nódulos de potência virtuais ou matrizes
corpóreas (no caso do léxico do LUME), são potencialidades virtuais a serem atualizados
conscientemente no momento do estado cênico2. Treinar, portanto, significa criar a possibilidade de
vivenciar experiências intensivas, a ponto dessas experiências serem passíveis de recriação
posterior, recriando seu fluxo vital que ela, em si, já contém. Assim, a questão não é executar um
trabalho, mas vivenciá-lo, puxar esse trabalho em um limite intensivo. Claro que não estou falando
aqui de um elemento meramente mental no sentido de uma lembrança racional, mas essa vivência
fica impregnada de forma virtual no próprio corpo-memória, ou seja, não devemos entender
memória e vivência como experiências mentais ou meramente imagéticas, localizadas em um ponto
específico chamado cérebro, mas devemos entender essas vivências como vivências corpóreas,
vivências-subjéteis. Será que ainda necessitamos provar o corpo integrado? Memória é corpo, já
gritavam tantos pesquisadores teatrais. Continuemos a gritar, então...
Dessa forma ampliamos o conceito de “treinamento”: um “treinar” pode estar inserido na
ação de, por exemplo, sair às ruas e vivenciar experiências, observar os fluxos cotidianos, olhar as
relações sociais a ponto de gerar um afeto, uma experiência, uma vivência intensiva. Um ensaio
pode ser um estado de trabalho constante na busca de vivências e, é claro, o próprio estado cênico
se configura como uma fonte constante de vivências. O território do “treinar” é muito mais amplo
que um espaço-tempo destinado à realização de exercícios. O “treinar” se confira muito mais como
uma postura ética na relação com o corpo, com o espaço, com as relações sociais, com suas próprias
singularidades. Um atuador deve estar em constante treinamento ou, em outras palavras: um
performador deve estar na busca constante de fissurar seus limites de ação procurando uma potência
possível de expressão, seja em uma sala de trabalho, seja no ensaio de um espetáculo, seja dentro do
próprio espetáculo. No espetáculo se treina, assim como no cotidiano pode se encontrar estados
cênicos. O importante é encontrar potências de vivências que, em si, mantém sua força vital:
vivência como força motriz, matriz, que lançadas como virtuais potentes na memória dos atuadores
serão sua fonte inesgotável de organicidade e vida.
2 Chamo de ESTADO CÊNICO o momento específico em que o ator se encontra na ação de atuação
juntamente com o público e com todos os elementos que compõe a cena.
Bibliografia de Base
DELEUZE, GILLES e GUATTARI, FELIX. O que é Filosofia. Trad. Bento Prado Jr e Alberto
Alonso Muñoz. – Rio de Janeiro : Editora 34, 1992
------------------------------------------------------- Mil Platôs : Capitalismo e Esquizofrenia. Vol. 4.
Trad. Suely Rolnik. – Rio de Janeiro : Editora 34,1997.
DELEUZE, GILLES e PARNET, CLAIRE. Diálogos. Trad. Eloísa Araújo Ribeiro – São Paulo :
Editora Escuta, 1998.
GADAMER, HANS-GEROG. Verdade e Método I – Traços fundamentais de uma hermenêutica
filosófica. Trad. Fla´vio Paulo Meurer – Petrópolis, RJ: Vozes, Bragança Paulista, SP: Editora
Universitária São Francisco, 2005.
LÉVY, PIERRE. O Que é o Virtual? Trad. Paulo Neves. São Paulo : Editora 34, 1996
MATURANA, HUMBERTO. e VARELA, FRANCISCO. De Máquinas e Seres Vivos –
Autopoiese – A organização do Vivo. Trad. Juan Açuña Llorens. Porto Alegre : Artes Médicas,
1997.

sábado, 15 de janeiro de 2011

A Cultura como inclusão social.

Cultura e democracia

Coluna do Leitor 12 de janeiro de 2011 às 17:04h

Por Aluizio Belisário*

No momento em que são apresentados novos ministros – responsáveis pela definição e condução das políticas públicas setoriais a serem implementadas no país – parece interessante promover uma reflexão mais cuidadosa sobre a área da cultura, de importância fundamental em um processo voltado para a construção de uma sociedade mais justa para todos os seus membros.

Diversos aspectos ligados à cultura contribuem sobremaneira para a reprodução de uma sociedade dividida pela tecnologia, podendo se dizer que são ao mesmo tempo sua causa e consequência, pois se não podemos afirmar a existência de revoluções tecnológicas sem transformações culturais, também não podemos negar o papel da tecnologia na conformação cultural da sociedade.


É possível afirmarmos que as sociedades criam um imaginário através do qual se reproduzem, identificando o grupo social, distribuindo identidades e papéis, expressando os desejos e objetivos coletivos, de modo que todas elas se auto referenciam a partir de suas normas e valores fixados simbolicamente, como diz Pierre Ansart (Ideologias, conflitos e poder. Zahar, Rio, 1978).

Segundo o PNUD/Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, cultura não pode ser considerada como um conjunto cristalizado de valores e práticas, por recriar-se permanentemente à medida que as “pessoas questionam, adaptam e redefinem os seus valores e práticas em função da mudança das realidades e da troca de ideias”.

De qualquer modo, é possível pensar-se em cultura como um conjunto de aspectos, processos, rituais, hábitos, crenças e valores que garantem o reconhecimento de uma identidade a um determinado grupo social. Infelizmente, entretanto, a cultura é quase sempre vista como propriedade dos grupos hegemônicos, que buscam a desqualificação dos setores dominados, classificando suas manifestações culturais como folclóricas, atribuindo-lhes assim, um cunho depreciativo.

Ainda segundo o PNUD é possível identificar-se duas formas de exclusão social: a do modo de vida, que nega o reconhecimento e aceitação de um estilo de vida de um grupo, ao insistir em que cada um viva como toda a sociedade e; a da participação, quando a discriminação das pessoas as coloca em desvantagem nas oportunidades sociais, políticas e econômicas em função de sua identidade cultural.

Assim, considerando a cultura como um dos elementos fundamentais, no processo de dominação e entendendo ainda que as ações do aparelho cultural, embora cumpram o papel de garantir a manutenção e reprodução da ideologia dominante e, consequentemente, da estrutura socioeconômica dominante, também podem levar ao questionamento desta estrutura de dominação, sendo evidente a necessidade de se atuar neste campo, em busca da superação das situações de dominação vigentes.

Tais observações nos levam a afirmar a necessidade de se garantir o acesso dos setores dominados ao seio da cultura da sociedade, como uma das formas de superação da situação de dominação existente, num processo que pode ser denominado de “alargamento cultural”, no qual é absolutamente necessário que os aspectos, processos, crenças, etc. destes grupos também sejam levados aos grupos hegemônicos – ou seja, o processo de alargamento cultural deve ocorrer em via de mão dupla.

O exemplo das universidades que vem utilizando o sistema de cotas de acesso para negros, que passaram a sofrer uma explicável e justa pressão para incorporarem em seus currículos conteúdos sobre a história da África e da participação dos negros no desenvolvimento da cultura do país é um forte indicativo da importância deste duplo sentido do processo de alargamento cultural.

Gramsci utiliza o conceito de hegemonia para explicar o controle do Estado burguês sobre ideias e instituições no exercício da dominação política, observando que o controle que as classes dominantes exercem sobre a classe dominada, no campo da cultura, reduz a necessidade de uso da força física, o que nos leva à afirmação de que os fatores ligados diretamente ao processo produtivo não são os únicos responsáveis pelo exercício do poder, daí a importância de se travar uma forte luta pela superação de uma situação de dominação, ao nível das ideias e das formações culturais.

É possível afirmarmos que este início de século vem se caracterizando pela ocorrência de grandes transformações de cunho econômico e social, que acenam com uma possibilidade concreta de superação do quadro de forte exclusão social, gerado por uma sociedade caracterizada por uma cultura em que as tecnologias de informação e comunicação cumprem um papel de divisoras sociais e não de integradoras.

Ao observar o mundo através de sua cultura o homem tende a considerar o seu modo de vida como o mais correto e natural. Esta tendência ao etnocentrismo pode ser responsável pela ocorrência de inúmeros conflitos sociais ao promover a discriminação dos que são diferentes, pertencem a outro grupo, etc., levando a que suas práticas culturais sejam tratadas de modo depreciativo.

Pensar em uma sociedade mais justa implica em trilhar um caminho que conduza à modernização, com base em um sistema produtivo que não se caracterize pela acumulação selvagem de capital, resultante de um processo violento de espoliação de valor do trabalho e, consequentemente, de desprezo pelo homem, mas sim, baseado em um sistema produtivo que não apenas respeite o homem como elemento fundamental desse sistema, mas principalmente, que o trate como o objetivo central do processo.

Para tal, é necessário construir uma sociedade cujo fundamento ético seja o respeito à dignidade humana, o que implica, obviamente, na adoção de políticas de distribuição de riquezas coerente com o desenvolvimento produtivo, as quais permitam à sociedade como um todo, e não apenas a uma reduzida parte desta, se beneficiar do esforço coletivo.

Falar em distribuição de riquezas evoca, inicialmente, a ideia de melhor remuneração do trabalho, distribuição de lucros e outros mecanismos econômico-financeiros. Entretanto, tais mecanismos podem ser considerados voláteis, à medida que podem se desvanecer com o tempo, enquanto que outras formas de distribuição, que se processem através da educação e da cultura tendem a ser permanentes em seus efeitos.

Daí a importância do desenvolvimento de um processo de “alargamento cultural”, no qual se destaca a necessidade de se criarem meios de acesso dos grupos oprimidos à cultura do grupo hegemônico e vice-versa, possibilitando aos primeiros, a partir do conhecimento desta cultura dominante e das interferências provocadas nesta, pela inserção de sua própria cultura, a realização de transformações sociais necessárias ao rompimento da dominação política, econômica, social e cultural.

Como, entretanto, em qualquer sociedade não é possível que um indivíduo ou grupo domine todos os aspectos de sua cultura, a participação dos diversos grupos componentes da sociedade, nas definições sobre política ou políticas culturais a serem implementadas no país, torna-se imprescindível, não apenas como garantia da real ocorrência de um alargamento cultural, mas como base de sua própria articulação com os demais membros da sociedade, o que implica na necessidade de democratização radical das ações do Ministério da Cultura, através da convocação dos diversos grupos para a discussão e decisão a respeito das políticas a serem implementadas.

*Aluizio Belisário é Professor Adjunto da UERJ. Doutor em Educação-PROPED/UERJ, Mestre e Bacharel em Administração Pública-EBAPE/FGV.

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